Aliança Empreendedora

Fazer da economia um lugar para todos

Vencedores do 1º Prêmio Aliança de Empreendedorismo Comunitário são homenageados em evento que apresenta à Indústria Paranaense novas perspectivas em responsabilidade social corporativa


Na próxima terça-feira dia 24 de maio, às 08h, na Sala dos Conselhos do Centro de Inovação, Educação, Tecnologia e Empreendedorismo do Paraná (CIETEP), acontece o evento: “Fazer para Mudar – Novas perspectivas para a responsabilidade social corporativa através do apoio ao empreendedorismo comunitário”. Uma iniciativa da Aliança Empreendedora e da BPW-Curitiba, com o patrocínio do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná.

Já estão confirmadas as participações de empresas como: CR Almeida, Consórcio CCPR – Repar, Grupo Boticário, Furukawa, Nutrimental S.A., Grupo J. Malucelli, Grupo Ecoverdi, Drogarias Nissei, Grupo Thá, Spaipa Coca-Cola, TOTVS, entre outras.

Um dos cases de inovação e impacto que serão apresentados nesta área é o da Natura, representada por Susy Yoshimura, responsável pelo Movimento Natura. Suzy estrutura projetos sociais e ambientais voltados para o canal de vendas da Natura (hoje, 900 mil consultoras em todo país). Ela tem como desafio identificar lacunas sócio-ambientais e transformá-las em oportunidades de negócio e de construção de marca.

Outro case de sucesso a ser apresentado é o da Aliança Empreendedora, organização nascida no Paraná e que hoje atua em todo o país apoiando microempreendedores de baixa renda em parceria com empresas como Danone, Gerdau, Santander e Walmart. Segundo Rodrigo Brito, diretor executivo da Aliança, “trata-se de um evento único na região sul, que trará às indústrias paranaenses as tendências na área de inovação social e responsabilidade social corporativa no Brasil e no mundo”.

Ao final do evento, os três vencedores do 1º Prêmio Aliança de Empreendedorismo Comunitário serão homenageados, são eles:

1º Lugar: Gerson Pereira – Empreendimento: IWP Internet de Curitiba, Paraná. Gerson é curitibano e democratizou o acesso à internet no bairro do Tatuquara, conseguindo um jeito de compartilhar com seus vizinhos a banda larga que as grandes operadoras achavam não valer a pena levar até lá. Hoje ele tem seu próprio negócio, e quase 300 clientes.

2º Lugar: Francisco Gilmar Martins de Souza – Empreendimento: F.G.M DE SOUZA – Artesanato, Distrito de Carqueijo da cidade de Mucambo, no Ceará. Francisco trabalhava ajudando sua família com tecelagem desde criança, levou o método de trabalho para ser implantado na África, e hoje o Centro de Artesanato de Carqueijo emprega cerca de 25 pessoas.

3º Lugar: Marilandia de Santana Luna – Empreendimento: FASSO Artesanatos, Glória do Goitá, a 60km de Recife, no Pernambuco. Marilandia oferece camisetas, quadros e painéis que retratam a cultura da região pernambucana. Além das vendas, Marilandia desenvolve um projeto de inclusão social através da arte para crianças portadoras de necessidades especiais.

O prêmio, criado e lançado nacionalmente pela Aliança Empreendedora e patrocinado pela Itaipu Binacional e Instituto Camargo Corrêa, tem por objetivo fortalecer o empreendedorismo comunitário, identificando lideranças com destaque nacional para que suas experiências sirvam de exemplo a outras pessoas em todo país.

Serviço: Dia 24 de maio de 2011 (terça-feira), as 08h, no CIETEP – Sala dos Conselhos.
Av. Comendador Franco, 1341 – Curitiba – Paraná.
Para inscrever-se, mande um e-mail para: eventos@aliancaempreendedora.org.br

Matéria do Blog Empreendedor Social da Folha – Impulso Microcrédito está em busca de anjos investidores

 

Vídeo Impulso - Crédito ao Microempreendedor no Youtube

A Impulso Microcrédito é uma organização social que apoia microempreendedores de baixa renda. A ONG administra um site, que faz a ponte entre o investidor/doador (chamado de anjo) e os empreendedores com necessidade de capital a custo acessível.
Na maioria dos casos, os empreendedores são considerados “arriscados” pelos investidores tradicionais por vários fatores, como a falta de histórico de crédito, instabilidade financeira e localização geográfica.
Os investimentos destinados pelo “anjo” tratam-se de doações à Impulso, condicionadas ao empréstimo do valor ao empreendedor selecionado no site.
Quando os empreendedores efetuam a devolução dos empréstimos, o valor fica à disposição do “anjo”, para que eleja um novo beneficiário.
Pelo trabalho realizado, a Impulso foi premiada pela International Youth Foundation no programa Global: YouthActionNet.
A Impulso Microcrédito faz parte da Aliança Empreendedora, ONG liderada por Rodrigo de Méllo), finalista do Prêmio Empreendedor Social 2008.

Fonte: Empreendedor Social Folha

 

Entre lucro e sustentabilidade, fique com os dois

Entre se dedicar a uma empresa que lhe garanta lucro e cresça perante o mercado ou investir num negócio que proporcione o bem estar social a muitas pessoas, há quem diga ser possível ficar com as duas possibilidades. A defesa do fim da dicotomia entre lucro e sustentabilidade sócio-ambiental é feita, especialmente, pelas incubadoras e apoiadoras de negócios sociais.

De acordo com Rodrigo de Mello Brito, co-fundador e diretor executivo da Aliança Empreendedora, organização de apoio a microempreendedores, a principal característica de um negócio social é que ele nasce, existe e se desenvolve com o objetivo claro e explícito de solucionar ou contribuir para a solução e redução de desafios e problemas sociais e ambientais.

“Ou seja, não busca apenas o lucro, mas a melhoria da qualidade de vida e redução de desigualdades pela sua atuação, na mesma proporção em que busca resultados financeiros e rentabilidade”, explica ele. Nesse desenho, o lucro é tratado como estratégia e fonte de investimento para expansão de impacto. E não como gerador de riqueza para quem empreende.

Princípios sociais

É preciso, no entanto, fazer uma distinção conceitual. Afinal, conforme ilustra Brito, quase todos negócios, ONGs (organizações não-governamentais) e empresas tradicionais geram melhorias de qualidade de vida como a indústria farmacêutica, de alimentos, transportes, hospitais, softwares, escolas e inúmeras outras. “A diferença para os negócios sociais é que estes, ao invés de oferecerem soluções apenas com fim de lucro e para quem pode pagar, elaboram produtos, serviços e modelos de negócios focados para que gerem principalmente impacto social positivo e sejam viáveis para quem, a princípio, não pode pagar”, afirma. Para tanto, utilizam de estratégia, parcerias e criatividade.

Para Maure Pessanha, diretora do Centro de Formações em Negócios Sociais da Artemísia, um negócio dessa categoria se norteia mais pela possibilidade de viabilizar acesso das pessoas aos produtos e serviços do que a de apenas lucrar. Dessa maneira, é preciso entender as comunidades de baixa renda não só como consumidoras, mas também como protagonistas do desenvolvimento do empreendimento. “São iniciativas economicamente viáveis que utilizam mecanismos de mercado para atender às demandas sociais, com produtos e serviços focados na redução da pobreza ou melhoria da qualidade de vida das pessoas”, elucida. Ou seja, viabilizando o acesso de pessoas de baixa renda a produtos e serviços aos quais não teriam, naturalmente, acesso, mas que podem melhorar sua qualidade de vida.

Como exemplo, ela cita um serviço de arquitetura para pessoas de baixa renda. “Muitas pessoas fazem obras em casa sem assessoria técnica nenhuma, gastando muito. Um trabalho social nesse sentido é benéfico, pois dá segurança à construção com economia”, diz.

Cadeia de valor

Por vezes, os aspectos de sustentabilidade não estão no ponto final de consumo, na promoção do acesso a inovação por camadas menos abastadas da sociedade. Um negócio social pode estar configurado para que sua cadeia produtiva seja sustentável.

Um exemplo, citado por Maure, é o de um produtor de vegetais orgânicos de São Paulo. Segundo explica, a empresa atua na distribuição da produção de pequenos produtores, que sozinhos não passam pelos critérios de compra de grandes redes de supermercados. O foco desse empreendedor social é obter lucro por meio da viabilização do mercado aos produtos orgânicos desses pequenos agricultores.

“Antes de ser social é um negócio. Então, a lógica de negociação tem que ser baseada no lucro. Por isso, precisam de capital e têm que ser pensados como negócio, em sua sobrevivência”, salienta a diretora da Artemísia. Para ela, essa é uma das grandes diferenças em comparação a organizações sociais que dependem de doação ou repasses. “Esse tipo de negocio tem que ter lógica de sustentabilidade financeira, ainda que a margem de lucro seja, em muitos casos, menor”, observa. Ela defende que, para aumentar a margem, os empreendedores sociais precisam primar pelo ganho de desempenho, pela excelência operacional em busca da redução de custos por meio da inovação.

Céu como limite

Uma vez que o lucro está dentre os objetivos, não há limite de expansão, impacto social, lucro – ou prejuízo – em um negócio social, assim como ainda não existem entidades reguladoras desses negócios no Brasil. “O que acaba por definir os limites e abrangência destes negócios é a criatividade, competência, capilaridade, recursos e capacidade operacional de cada um deles”, afirma Brito. Ele aposta que, no Brasil, o campo é fértil para florescimento de negócios desse tipo. “Temos uma população diversa, grande sensibilidade de organizações e da população para questões sociais e ao mesmo tempo grandes desafios em diversas áreas como saúde, educação e moradia”, analisa.

Ele conta, ainda, que há negócios sociais que nascem já atuando em âmbito nacional ou mesmo presentes em diversos países de um ou mais continentes como África, Ásia e América do Sul. Como exemplos cita empresas sociais e ONGs que vendem filtros de água, remédios e óculos de baixo custo, equipamentos que aumentam a produtividade de pequenos agricultores ou até mesmo bicicletas e motocicletas em países com pouca infra-estrutura de estradas.

Maure endossa a afirmação de Brito e conta o caso de um grupo de estudantes que desenvolveu um cobertor que mantém o aquecimento de bebês nascidos prematuros. Segundo conta, os empreendedores concluíram que a principal causa de morte desses bebês é a falta de aquecimento alias ao altíssimo custo das incubadoras tradicionais. Com seu produto, de baixo custo e acessível por pessoas de renda muito baixa, conseguem atingir um público gigantesco. Afinal, 15% dos bebês no mundo são prematuros e, desses, 90% não sobrevivem.

Para melhor explorar a oportunidade, tiveram, conta ela, de visitar as pessoas. Assim puderam perceber que a maior parte delas não tinha acesso nem a energia elétrica. Dessa maneira, foi necessário desenvolver uma tecnologia que pudesse manter a temperatura mesmo sem eletricidade. “Especialmente no Brasil, em que as classes C e D estão crescendo significativamente, é um produto que, quanto mais for vendido, mais impacto social terá. E lida com uma questão social profunda, além de ser totalmente inovador”, conta ela.

Oportunidades à vista

Para melhor atuar no segmento de negócios sociais é preciso conhecer e compreender as necessidades das pessoas, analisando de forma aprofundada o cotidiano, as necessidades, os sonhos, a mentalidade, a cultura, a trajetória, a organização social e o comportamento das pessoas a serem atendidas. Somente dessa maneira, opina Brito, é possível vir a pensar e pesquisar soluções que atendam verdadeiramente às necessidades de maneira viável e com a qualidade necessária.

“Como disse Peter Drucker, transformar necessidades em demanda é uma ótica dica para quem quer identificar oportunidades. E hoje existe uma infinidade de necessidades não atendidas por milhões de pessoas que não participam das Classes A, B e C, seja em questões básicas como habitação, educação e saúde como também em outras necessidades que todos temos como cultura e entretenimento”, assegura Brito.

Ele lembra, ainda que como qualquer empresa tradicional, um negócio social vive os mesmos desafios de gestão, acesso a capital, mercado,etc. para que possa dar certo. Além disso, enfrenta alguns desafios adicionais como as necessidades de: repensar o papel do design e da tecnologia de produtos para que apresentem qualidade com preços acessíveis; de repensar o modelo de precificação e cobrança; construir redes de relacionamentos, parcerias e confiança com públicos e comunidades muitas vezes excluídos.

As iniciativas de apoio a empreendedores, como a Artemísia e a Aliança Empreendedora, auxiliam empreendedores que tenham interesse de desenvolver negócios e participar da cadeia dos negócios sociais.

Exemplos de negócios sociais com atuação mundial

Outros negócios sociais atuam beneficiando diversos locais, principalmente por meio da Internet, como é o caso de empresas de comércio justo que comercializam produtos de microempreendedores pela web como a World of Good, do E-bay, ou a Solidarium, no Brasil.

Além do e-commerce, a web também virou um importante canal de microcrédito de sites e portais que conectam investidores – sociais ou não – de todo o mundo a organizações de microfinanças e microempreendedores de países em desenvolvimento por meio de empréstimos pessoa a pessoa, como é o caso do KivaMicroPlace ou  o Portal Impulso no Brasil.

Fonte: Santander Empreendedor

O que é Comércio Justo? SGE

O Comercio Justo (Fair Trade) contribui para o desenvolvimento sustentável ao proporcionar melhores condições de troca e a garantia dos direitos para produtores e trabalhadores localizados em comunidades e regiões de baixa renda.

O movimento do comércio justo propõe ampliar o acesso de pequenos produtores, economicamente em desvantagem, ao mercado. O conceito se baseia na importância de o consumidor adquirir produtos comercializados de maneira responsável, que possibilite remuneração justa e condições de trabalho favoráveis, incluindo o uso sustentável dos recursos naturais.

O Comércio Justo tem como objetivo principal estabelecer contato direto entre o produtor e o comprador, desburocratizando o comércio e poupando-os da dependência de atravessadores e das instabilidades do mercado global de commodities, evidenciando que a relação entre eles precisa obedecer a princípios precisos para ser considerada justa.
Conheça quais são os princípios que regem o Movimento de Comércio Justo:

1. Criação de oportunidades para os produtores economicamente desfavorecidos

Comércio Justo é uma estratégia de combate à pobreza e desenvolvimento sustentável. O seu objetivo é o de criar oportunidades para os produtores que tenham sido economicamente desfavorecidos ou marginalizados pelo sistema de comércio convencional.

2. Transparência e Responsabilidade

Comércio Justo envolve uma gestão transparente e das relações comerciais para tratar de forma justa e respeitosamente com os parceiros comerciais.

3. Construção de Capacidades

Comércio Justo é um meio para o desenvolvimento dos produtores independência.

4. Pagamento de um preço justo

Um preço justo, no contexto regional ou local é aquele que tenha sido acordada através do diálogo e da participação. Alem de cobrir os custos de produção, também permite uma produção que é socialmente justa e ambientalmente racional. Ele oferece um salário justo para os produtores e leva em conta o princípio da igualdade de remuneração por trabalho igual de mulheres e homens.

5. Eqüidade de gênero

Comércio Justo significa que o trabalho das mulheres é devidamente valorizado e recompensado. As mulheres são sempre pagas por sua contribuição para o processo de produção e estão habilitados em suas organizações.

6. Condições de trabalho

Comércio Justo significa um ambiente de trabalho seguro e saudável para os produtores. A participação dos filhos (se for o caso) não afeta negativamente o seu bem-estar, segurança, requisitos educacionais e de necessidade de jogar e está em conformidade com a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, bem como a legislação e normas no contexto local.

7. O ambiente

O Comércio Justo incentiva ativamente melhores práticas ambientais e da aplicação de métodos de produção responsável.

Fonte: Solidarium

Aliança Empreendedora participa de evento em São Paulo durante a Semana Global


Rodrigo Brito, Co-fundador e diretor executivo da Aliança Empreendedora, irá representar a organização no painel Modelos de negócios que reduzem a pobreza, que acontece no dia 19 de novembro, na FGV – EAESP, em São Paulo. O evento será realizado durante a Semana Global do Empreendedorismo e reunirá especialistas que irão debater sobre como os negócios podem reduzir a pobreza no Brasil.

O intuito do painel é congregar pessoas que trabalham com a inclusão da população de baixa renda e promovem transformações sociais, afetando diretamente a realidade brasileira. Além disto, o evento também marca o lançamento oficial do NextBillion Brasil, onde será possível ler artigos, entrevistas e notícias, e se envolver ainda mais com o tema: Modelos de negócios que reduzem a pobreza.

Confira a programação e os participantes:

  • 08h30 – Café.
  • 09h00 – Abertura: Rodrigo Teles, diretor-executivo da Endeavor Brasil.
  • 09h05 – Introdução ao tema e aos parceiros do evento: Rob Parkinson, coordenador do NextBillion Brasil.
  • 09h20 – Painel Modelos de Negócios que reduzem a pobreza: Rodrigo Brito, co-fundador e diretor-executivo da Aliança Empreendedora, e Vivianne Naigeborin, pesquisadora e consultora na área de negócios sociais.
  • 10h15 – Intervalo.
  • 10h35 – Apoio a pequenos negócios com alto potencial de crescimento:– Randall Kempner, diretor-executivo da Aspen Network for Development Entrepreneurs (Ande).
  • 11h00 – Painel Construindo o campo no Brasil: Daniel Izzo, fundador e sócio da Vox Capital, Marcio Jappe, Diretor da Aceleradora de negócios sociais da Artemisia e Rodrigo Teles, diretor-executivo da Endeavor Brasil.
  • 11h55 – Lançamento do website NextBillion Brasil: Larissa Armani, editora do veículo.
  • 12h00 – Encerramento.

O evento é aberto ao público e as inscrições podem ser feitas através do site: http://nextbillionbrasil.net/inscricoes/

Conferência sobre Negócios Sociais em Miami – Março de 2010

Entre os dias 17 e 19 de Março, Miami será a sede de uma importante conferência sobre negócios sociais, a “Social Ventura Capital / Social Enterprise Conference” que dará destaque especial a este setor no Brasil. contará com mais de 100 palestrantes e centenas de participantes do campo do empreendedorismo social e negócios sociais.

Em paralelo, ocorrerão mais de 25 sessões  do evento “Sustainable Haiti”, sobre alternativas para este país atingido pelos terríveis terremotos de 2010 e pelo histórico contínuo de pobreza existente na região. 

Maiores informações no site www.connectionmiami.com

SVC Miami

Au Brésil, l’équitable sur l’avenir – Matéria no jornal francês Libération

Confira abaixo e no link http://www.liberation.fr/monde/0101610294-au-bresil-l-equitable-sur-l-avenir a matéria sobre Solidarium e Aliança Empreendedora  veiculada no caderno “As Soluções Liberais” do jornal francês Libération, publicado em mais de 20 países. A matéria foi publicada no Natal passado, dia 25 de Dezembro de 2009.

Au Brésil, l’équitable sur l’avenir

Reportage – Des favelas à la grande distribution, l’économie solidaire est en plein boom.

Capa - Libération - dez/09

Capa - Libération - dez/09

Maria s’affaire sur sa machine à coudre flambant neuve. Elle termine un dernier lot de nécessaires pour les magasins Renner, une des principales chaînes d’habillement au Brésil. Le salon de Maria, où elle a installé son atelier de couture, est sens dessus dessous. Des piles de tissus s’entassent partout. Les trousses floquées de papillons s’alignent sur le sofa. «Au total, j’en ai fait 125, plus 150 sacs», raconte fièrement cette femme de 49 ans.

Nous sommes à Vila Zumbi, une favela des environs de Curitiba, capitale du Paraná (Etat du sud du Brésil). Depuis dix jours, Maria et les autres membres de l’Association des entrepreneurs Zumbi dos Palmares (AEZP), spécialisée dans les accessoires et les articles de décoration en tissu, travaillent à la commande des magasins Renner : deux modèles de sacs et autant de nécessaires, disponibles depuis cette semaine dans 110 points de vente sur le territoire national. Les 45 «associés» de l’AEZP sont pour la plupart des gens du quartier. Comme Maria, ancienne employée de maison, ils étaient condamnés, faute de qualification, à des emplois mal rémunérés, sinon au chômage. Aujourd’hui, les femmes sont couturières et les hommes sérigraphes. Ils ont été formés par l’association.

«L’AEZP a vu le jour il y a cinq ans, parce qu’on ne savait pas où vendre ce qu’on produit, raconte sa fondatrice, Diva Paganardi. On s’est dit qu’ensemble, tout serait plus facile.» Il y a encore deux ans, néanmoins, l’association ne vendait pas grand-chose. «Aujourd’hui, la demande est telle que nous sommes à la recherche de nouveaux artisans», se réjouit Paganardi. Les ventes ont bondi grâce à Solidarium, une entreprise de commerce équitable par le biais de laquelle l’AEZP a trouvé des débouchés importants : les magasins Renner, mais aussi la chaîne américaine de grande distribution Wal-Mart et celle d’ameublement franco-brésilienne Tok&Stok. Les commandes sont conséquentes : 4 500 pièces par mois pour Renner ; 3 000 pour Wal-Mart ; 350 pour Tok&Stok. L’AEZP en fournit environ 20%. Le reste est produit par les 34 autres associations ou coopératives d’artisans avec lesquelles traite Solidarium.

Matéria Aliança / Solidarium

Matéria Aliança / Solidarium

Prix juste.

L’entreprise a été fondée en 2006 par des jeunes de Curitiba. «Nous voulons faire du profit tout en contribuant à l’inclusion sociale», explique son jeune directeur, Tiago Dalvi, 23 ans. Depuis l’arrivée au pouvoir du leader de gauche Lula, en 2003, la pauvreté a nettement reculé – notamment grâce aux aides versées par l’Etat -, mais elle touche encore des dizaines de millions de Brésiliens. Dans ce pays marqué par de profondes inégalités sociales, le commerce équitable, communément admis comme un échange entre les pays du Nord et ceux du Sud, n’a pas besoin de traverser les frontières et fait appel à la solidarité des couches aisées. «Au Brésil, ce type de commerce est encore très limité, reprend Tiago Dalvi. Nous, nous voulons aider le plus grand nombre d’artisans à écouler leur production dans la grande distribution, à laquelle ils n’ont généralement pas accès.» Beaucoup dépendent d’intermédiaires malhonnêtes qui achètent à prix très bas et revendent beaucoup plus cher. Solidarium tente, au contraire, de trouver un prix juste. «Le producteur gagne bien plus que nous, précise Dalvi. Son revenu net représente 28 à 35% du prix final payé par le consommateur – la moyenne est de 21% dans le commerce équitable – contre environ 5% pour Solidarium. Nous préférons gagner peu sur chaque unité, mais en vendre beaucoup.» Le tout dans le respect de l’environnement. Les sacs et trousses de Renner, par exemple, sont en plastique et en vinyle issus du recyclage de bouteilles et d’affiches publicitaires par les ramasseurs d’ordures de Curitiba. Solidarium est chapeautée par Aliança Empreendedora, une organisation d’intérêt public fondée par le même groupe de jeunes. Son objectif : le soutien à la petite entreprise et à l’économie solidaire, base du commerce équitable.

Goulots. Le gouvernement estime à quelque 50 000 le nombre d’associations, coopératives et autres groupements qui se réclament de ce type d’économie au Brésil. Les 22 000 recensés jusqu’ici dégagent un chiffre d’affaires de plus de 2,35 milliards d’euros et occupent deux millions de personnes. «Au départ, les gens se repliaient sur cette forme d’organisation pour faire face au chômage, explique Fabio Sanchez, en charge de l’économie solidaire au gouvernement. Aujourd’hui, ils le font surtout par choix.» Son secrétariat, créé par Lula, a mis en place des politiques de soutien, mais les besoins sont tels que toute contribution est bienvenue.

L’Aliança agit sur les goulots d’étranglement du secteur : la commercialisation, mais aussi l’accès au crédit, difficile pour un public pauvre qui n’a pas de garantie à offrir, et la formation à la gestion d’entreprise. «Nous apprenons également aux artisans à déterminer les prix et à négocier, poursuit Dalvi. Car l’objectif ultime est de leur permettre de vendre directement leur production, sans passer par nous.» Selon lui, le revenu moyen des artisans partenaires de l’Aliança a triplé. Dans le cas de ceux de l’AEZP, il aurait même décuplé, passant à environ 500 réaux (196 euros). Maria en a empoché près de 3 000 cette année. C’est moins que l’an dernier, car la crise est passée par là et les commandes ont été réduites (les artisans sont payés à la production), mais c’est un sacré coup de pouce pour elle, qui vivait jusqu’ici de la maigre pension de son défunt mari. «Ma situation s’est améliorée du tout au tout, témoigne Maria. Désormais, j’ai de bonnes choses à manger. J’ai même pu payer une fête d’anniversaire à mon petit-fils.»

Indépendance. L’AEZP a dopé sa production grâce au microcrédit fourni par l’Aliança, qui a permis l’acquisition de nouveaux équipements. Chaque couturière a désormais sa propre machine à coudre. «Du coup, je peux travailler chez moi, sans avoir à quitter mes enfants», se félicite Simone, 24 ans. Comme tant d’adolescentes pauvres, Simone a dû quitter l’école très tôt, pour cause de grossesse précoce, à 13 ans. Il y a deux ans, elle a décidé de travailler. Elle aime ça : «Je me sens utile», dit la jeune femme. Les bons mois, elle gagne l’équivalent de 240 euros. De quoi conforter le gouvernement de Lula, qui voit dans le commerce équitable un moyen de prolonger ses politiques de lutte contre la pauvreté.

Eles Fazem Muito com Pouco – Matéria sobre Negócios Sociais da Revista EXAME PME.

A Aliança Empreendedora foi uma das organizações destacadas pela reportagem sobre empreendedorismo social e negócios sociais da edição de Dezembro 2009 / Janeiro 2010 da Revista EXAME PME. Abaixo você encontra a capa da revista, um trecho e o link para a matéria completa no site da EXAME PME.

http://portalexame.abril.com.br/revista/pme/edicoes/0022/eles-fazem-muito-pouco-521113.html

Capa - Revista EXAME PME dez09/jan10

Capa - Revista EXAME PME dez09/jan10

Eles fazem muito com pouco

O que pequenos e médios empresários têm a aprender com empreendedores sociais que criaram modelos de negócios com poder de gerar resultados a partir de recursos quase sempre escassos

Por Juliana Borges | 18.12.2009 | 10h12

Portal EXAME –

O engraçado é que é sério.” O slogan dos Doutores da Alegria, que leva palhaços a hospitais para espantar a melancolia de crianças internadas, bem que poderia servir para definir um dos muitos desafios dessa entidade sem fins lucrativos — não perder seus melhores funcionários para o mercado. O engraçado é que os funcionários são palhaços. O sério é que não é um problema fácil de resolver. Em seus 18 anos de existência, os Doutores da Alegria sempre trabalharam com palhaços profissionais e contratados. No início, não era claro que perspectivas eles encontrariam ali. Hoje, um programa de treinamento e um sistema de remuneração por mérito ajudam a mantê-los comprometidos com as metas de longo prazo da entidade — 56% dos quase 100 palhaços dos Doutores da Alegria têm mais de quatro anos de casa e cerca de 30% estão lá há mais de dez anos. “Temos orgulho desse resultado”, diz o fundador Wellington Oliveira, de 49 anos. “Muitas empresas boas não conseguem ter uma rotatividade baixa assim.” Manter talentos é uma entre as muitas outras preocupações de Oliveira (e dos outros empreendedores sociais citados nesta reportagem) semelhantes às de todo pequeno e médio empresário empenhado em expandir e melhorar seu negócio. Em comum, os dois tipos de empreendedor também precisam encontrar as melhores práticas de divulgar o que fazem, aumentar receitas, conter custos e administrar o fluxo de caixa — tudo isso com recursos contados.

-”O grande desafio de um negócio social é ter um funcionamento que não dependa somente de Doutores da Alegriapatrocínios e doações”, diz Leila Novak, criadora do Instituto Papel Solidário, entidade que apoia jovens empreendedores nessa área. “As soluções que eles encontram podem ser interessantes para pequenas e médias empresas, que também precisam fazer muito com pouco.”

Como outros empreendedores, Nogueira, dos Doutores da Alegria, precisou aprender na prática a administrar um negócio e a lidar com funcionários. Nogueira é ator, formado pela Academia Americana de Teatro Dramático e Musical de Nova York. Desde o início, ele acreditava que o projeto tinha de envolver profissionais. “A ideia não daria certo com voluntários que se fantasiassem de palhaço nas horas de folga”, diz. O palhaço recém-contratado faz uma espécie de residência médica, que dura um ano. Nesse período, acompanha uma dupla de palhaços experientes para aprender a lidar com crianças doentes e saber que tipo de brincadeira pode ser feita num hospital. Ao final, recebe diploma de “besteirologista” e pode fazer parte de uma dupla. Com o tempo, palhaços mais antigos podem ser promovidos a coordenadores dessas equipes. “Aqui, eles têm uma carreira”, diz Luis Vieira da Rocha, diretor executivo da entidade.

O cargo de Rocha foi criado há quatro anos. “Como também acontece nas pequenas empresas que se desenvolvem, chega uma hora em que precisamos de um profissional”, diz Nogueira. Ele ficou mais livre para pensar novas formas de expandir as atividades dos Doutores da Alegria para além dos hospitais — como as palestras de motivação que já são feitas em empresas. Esse tipo de atuação é muito importante para trazer recursos — 30% dos 5,5 milhões de reais necessários para as 75 000 visitas feitas por ano a hospitais vêm de receitas próprias.

Não depender só da boa vontade alheia e de doações que nunca se sabe se chegarão mesmo é o objetivo do ex-entregador de jornais José Júnior, de 41 anos. Um dos fundadores do AfroReggae, que promove cursos de música, teatro e dança em favelas cariocas, Júnior tem de superar todos os dias esse desafio — talvez tão grande quanto as incertezas de sua infância no subúrbio do Rio de Janeiro, onde nasceu. A entidade tem um orçamento anual de cerca de 10 milhões de reais. “Metade do dinheiro já vem de receitas próprias”, diz Júnior. O resto é bancado por três grandes empresas e pelo governo do Rio de Janeiro.

Uma boa parte das receitas vem de negócios diretamente ligados aos projetos da entidade — venda de ingressos de shows e CDs das bandas apoiadas e publicidade de programas em rádio e TV. Outra parte vem da força que o nome AfroReggae adquiriu em seus 16 anos de vida. O dinheiro vem do licenciamento da marca para a fabricante de roupas Hering, de cursos de percussão e teatro para grupos fora da periferia, da venda de livros e até de consultoria para empresas que procuraram a entidade a fim de entender melhor o comportamento de consumidores de baixa renda. “O AfroReggae se tornou também uma marca”, diz Júnior.

No total, o AfroReggae mantém 74 projetos, entre 14 grupos artísticos, um programa de televisão, cinco de rádio e uma revista, além de cursos e oficinas nas favelas de Vigário Geral, Parada de Lucas e Morro do Cantagalo. A organização também já foi tema de quatro filmes de cinema — entre eles o Favela Rising, produção americana que ficou entre as 15 pré-selecionadas ao Oscar 2006. Em março de 2010, será inaugurado um centro cultural em Vigário Geral, o primeiro de grande porte numa favela brasileira, que custou 5 milhões de reais.

“É muito saudável que organizações não governamentais procurem se tornar mais autônomas financeiramente”, afirma Monica de Roure, diretora da subsidiária brasileira da Ashoka, organização não governamental criada na Índia que promove o empreendedorismo social em 60 países. “O que é feito para gerar caixa aumenta o alcance das iniciativas.”

Um caminho é usar a especialidade da entidade para criar serviços e produtos que possam interessar às mesmas empresas que seriam procuradas para bancar patrocínios ou fazer doações. Foi o que fez a historiadora carioca Karen Worcman, de 47 anos. No início dos anos 90, ela fundou o Museu da Pessoa, que atua para registrar, preservar e transformar em informação histórias de vida de qualquer brasileiro, famoso ou não. Na época, o dinheiro para financiamento de projetos com fins sociais era ainda mais restrito. “Além disso, poucos entendiam nossa proposta”, diz Karen. “Por que conservar a memória de pessoas desconhecidas? Aquilo soava muito estranho.”

Karen começou a propor para grandes empresas, como Petrobras, Vale e Bradesco que, em vez de gastarem com festas ou jantares em datas comemorativas, produzissem vídeos ou exposições sobre a vida dos próprios funcionários. Deu certo. Depois, o Museu da Pessoa passou a atender clubes de futebol para colher a história de jogadores e resgatar a memória de torneios antigos. “O material organizado para esses clientes ajudou a alimentar o acervo”, diz Karen. Hoje estão guardadas ali 10 000 entrevistas e 72 000 fotos, entre outros documentos. Com esse arquivo, foram publicados 31 livros, como o Memória de Brasileiros — uma História em Todo Canto, com personagens de todas as regiões do país.

Em 2001, o Museu da Pessoa tornou-se uma instituição mista, que também capta patrocínios para seus projetos. “Fizemos um caminho inverso ao de outros negócios sociais, que geralmente começam com incentivos e depois vão buscar formas de se sustentar financeiramente sozinhos”, diz Karen. “Acho que se não tivéssemos corrido atrás de nossas próprias receitas desde o início, dificilmente teríamos chegado até aqui.”

Depois de conseguir recursos, administrá-los eficientemente é o segundo desafio — da mesma forma, gerir o fluxo de caixa é uma necessidade de dez entre dez pequenos e médios empresários. Na Associação Saúde Criança Renascer, cujo trabalho é evitar que crianças que tiveram alta em hospitais voltem a ser internadas por falta de acompanhamento médico, essa é uma preocupação central. Para diminuir a reinternação de crianças em 24 hospitais do Rio de Janeiro, a organização criada pela médica carioca Vera Cordeiro, de 57 anos, dá atendimento às suas famílias. Entre outros trabalhos, a entidade oferece atendimento psicológico e monta oficinas que auxiliam a aumentar a renda média delas.

O trabalho começou em 1993, no Hospital da Lagoa. Desde o início do projeto já foram ajudadas mais de 8 600 crianças e 2 500 famílias. No início, todas as despesas eram cobertas com doações e patrocínios de grandes empresas. “Muita gente colaborava, mas a incerteza era grande”, diz Vera. “É difícil planejar qualquer coisa sem saber se e quando os recursos vão entrar.” Para acabar com esse problema, há pouco mais de um ano a Saúde Criança Renascer criou um fundo patrimonial, com dinheiro de pessoas físicas e empresas que apoiam a iniciativa. O patrimônio do fundo é de 7,5 milhões de reais, administrado por um comitê de quatro economistas — o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga é um deles — que o aplica em títulos de renda fixa e ações. “O rendimento cobre todas as nossas despesas fixas”, diz Vera.

Para atrair investidores, Vera precisou mostrar que o Saúde Criança Renascer traz resultados concretos. “Essa é uma dificuldade das organizações não governamentais, que nem sempre trabalham com bens e serviços tangíveis”, diz Monica, da Ashoka. Por isso, passou-se a medir uma série de parâmetros, como a taxa de reinternação das crianças e o aumento médio da renda das famílias atendidas. Uma vez por ano, tudo é auditado pela Deloitte.

Os empreendedores sociais têm uma tarefa básica que os pequenos e médios empresários conhecem bem — tornar o negócio conhecido e zelar por sua reputação. Caso contrário, quem vai colaborar? A competição por recursos é grande no terceiro setor. Só de organizações não governamentais filiadas à Abong, que reúne essas entidades no Brasil, são quase 300 — fora dezenas de grupos considerados mistos e agremiações de voluntários que se dedicam a todo tipo de causa, como defender o meio ambiente e recolher cães e gatos abandonados, que também batem às mesmas portas à procura de recursos.

A batalha é particularmente dura para as entidades mais jovens. Criado em 2004 por Mônica Barroso Keel e Cecília Zanotti, ambas de 34 anos e formadas em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas, o Projeto Bagagem organiza roteiros turísticos que ajudem a gerar renda para a população das pequenas comunidades que moram nas regiões visitadas. São feitas viagens para destinos como Amazônia, Chapada Diamantina e comunidades caiçaras do Paraná. Mas como divulgar aos turistas que esses passeios podem ser interessantes? “Não podíamos depender apenas do boca a boca”, diz Cecília. “Tínhamos de agir como um concorrente no setor e traçar uma estratégia comercial para vender mais.”

No início deste ano, Mônica e Cecília fizeram um curso promovido pela Ashoka. O treinamento, desenvolvido em parceria com a consultoria McKinsey, capacita empreendedores sociais e ambientais a fazer planejamentos estratégicos para as suas organizações. “Muitos negócios sociais com propostas interessantes encontram dificuldade de traçar planos de longo prazo”, diz Carina Pimenta, coordenadora de parcerias estratégicas da McKinsey.

Com a ajuda dos consultores da McKinsey, Cecília e Mônica agora sabem aonde querem chegar. “A meta é vender pacotes turísticos para 50 destinos no Brasil em cinco anos”, diz Cecília. Segundo o plano, daqui a quatro anos o Projeto Bagagem deverá atingir um faturamento anual de mais de 1,4 milhão de reais, quase cinco vezes o atual. Um caminho para essa expansão é fazer parcerias com grandes agências de viagens. Já está funcionando um acordo com a TAM Viagens, que vende roteiros para o Maranhão e a Amazônia aos funcionários do grupo TAM. No próximo ano, serão organizados passeios para destinos como Amazônia e Paraty, vendidos em agências de viagens da Espanha e da Holanda.

Nem todos os empreendimentos sociais têm vocação para se tornarem financeiramente independentes. De acordo com o livro The Power of Unreasonable People (“O poder das pessoas que não usam apenas a razão”, numa tradução livre para o português), escrito por John Elkington e Pamela Hartigan, dois dos maiores especialistas em desenvolvimento sustentável no mundo, os empreendedores sociais podem ser divididos em três grandes grupos. Há os totalmente dependentes, que atuam em áreas em que é praticamente impossível gerar recursos próprios. No segundo grupo estão os híbridos, que recebem doações e também são capazes de gerar alguma receita — como os que apareceram nesta reportagem até aqui. No terceiro estão os que não precisam de doações e têm, em muitos aspectos, funcionamento semelhante ao das empresas tradicionais.

Mesmo as entidades desse terceiro grupo exigem investimentos consideráveis de recursos financeiros, humanos e materiais e levam algum tempo para trazer resultados e tornarem-se, de fato, auto-sustentáveis. É o que está acontecendo com a Aliança Empreendedora, entidade curitibana criada em 2005 para fomentar o empreendedorismo em comunidades de baixa renda. Dos três grandes projetos em execução até agora, apenas a Solidarium, que articula parcerias entre grandes redes varejistas e empreendedores, já conquistou autonomia financeira. Em 2006, foi assinado um desses acordos com a rede de supermercados Walmart. Hoje, 58 lojas da rede mantêm uma gôndola com produtos ligados ao projeto. Em agosto, começou a funcionar uma parceria semelhante com 111 unidades das lojas Renner. “A receita arrecadada com essas vendas banca as despesas do Solidarium e o que sobra é reinvestido na iniciativa”, diz o administrador de empresas Rodrigo Brito, de 28 anos, fundador da Aliança Empreendedora.

Um fundo de microcrédito da entidade está prestes a seguir um caminho semelhante. Brito prevê mais dois anos até alcançar uma escala capaz de arcar com seus custos. O fundo tem mais de 130 000 reais, usados para empréstimos de valor médio de 900 reais. “A inadimplência é inferior à média dos bancos”, diz ele. O terceiro braço, a Saga, dá treinamento e consultoria aos empreendedores. “Muitas pessoas chegam até nós sem saber produzir absolutamente nada”, diz Brito. Essa parte ainda é dependente de doações de empresas. “Esperamos que, com o tempo, os outros dois projetos consigam pagar também os custos da Saga”, diz Brito.

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